11 de dez de 2009

Tem dias...

Tem dias que agente acorda e não entende pq acordou... Não pq tenha acontecimentos catastróficos, ou coisas muito sérias que vc acha q era melhor dormir pra sempre. Mas tem dias que agente acorda simplemente pra escutar... ]

Não uma bela música, não um suspiro apaixonado, não o som da chuva cainda enquanto vc respousa no seu travesseiro...

Escutar o que as pessoas QUEREM te dizer. Não confunda com as pessoas que TEEM que te dizer. Existem pessoas que PRECISAM dizer as coisas pra vc. É como se fosse uma missão cumprida, uma meta, um objetivo traçado: "Vou dizer isso a ele.."

Geralmente, não é das melhores coisas. Ninguém precisa traçar uma META pra conseguir fazer um elogio, um comprimento, um reconhecimento... Essas coisas saem mais fáceis, talvez a intensidade seja possível de manipular, mas não é necessário grande esforço pra um elogio.

Uma crítica, uma pensamento que vc sabe que vai DE ENCONTRO ao pensamento da outra.. geralmente possuem PLANEJAMENTO e na maioria dos casos possui uma satisfação do EGO de quem fala. Tem gente que acho que chega ao orgasmo...

Isso pq não basta simplesmente reclamar algo de vc, ou discordar de vc ou demonstrar que quer falar algo que vai contra o q vc pensa... É preciso que você tome consciencia e guarde (bem lá dentro) que a pessoa X falou/pensa Y, E, O...

Ou vc nunca viu algúem te fazer uma critica e vc meio que dizer "Certo, entendo... vou pesar sobre isso..." e a pessoa fazer QUESTAO de repetir (quantas vezes necessário) até vc parar, digerir e ter uma REAÇÃO aquilo q ela fala.

É engraçado...

10 de dez de 2009

O BRASIL EXPLICADO EM GALINHAS

O BRASIL EXPLICADO EM GALINHAS
Luiz Fernando Verissimo

Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram para a delegacia.
D - Delegado
L - Ladrão
D - Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
L - Não era para mim não. Era para vender.
D - Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio
estabelecido. Sem-vergonha!
L - Mas eu vendia mais caro.
D - Mais caro?
L - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as
minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.
D - Mas eram as mesmas galinhas, safado.
L - Os ovos das minhas eu pintava.
D - Que grande pilantra.. (Mas já havia um certo respeito no tom do
delegado).
D - Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega..
L - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.
D - E o que você faz com o lucro do seu negócio?
L - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de
drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui
exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de
alimentação do governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:
D - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está
milionário?
L - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que
tenho depositado ilegalmente no exterior.
D - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
L - Às vezes. Sabe como é.

D - Não sei não, excelência. Me explique.
L - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa.
O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa
proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto
realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente
vou para a cadeia. É uma experiência nova.
D - O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
L - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
D - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes. ..

Luis Fernando Veríssimo.

CHEERS!